quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Sombras de Goya

É cinema à moda antiga, de roteiro bem costurado e bem motivado. Cada cena encerra um sentido em si e prolonga outro que se desenvolve no todo do filme.

Sempre fui fã Milos Forman e Carriére e não teria porque não gostar de uma parceria dos dois.

E que beleza também acompanhar mais uma vez o trabalho do Javier Bardem: é um ator fantástico! Não posso deixar de mencionar, obviamente, Stellan Skarsgaard (Goya) e Michael Lonsdale, que interpreta o Padre Gregório. Natalie Portman, uma vez mais, tem uma atuação correta, interpretando três personagens distintos (ainda que dois sejam a mesma pessoa).

A despeito de todas as polêmicas históricas que o filme tem suscitado (aliás, como todo filme histórico), achei muito interessante acompanhar sobretudo a passagem dos modelos de sociedade impostas à Espanha por ideais e crenças na oposição homem x Deus. Achei que o filme mostra toda as implicações políticas em torno de se saber o que é a verdade e como as verdades são sempre condicionadas historicamente.

Neste ponto, Forman e Carriere foram, para mim, muito felizes. Principalmente por expôr a relação direta que há entre moral e intolerância. Neste sentido, é belíssimo o final. Quem assistiu entende: não é qualquer família, não é qualquer pertencimento. O sentido possível talvez seja muito mais acolhedor de determinadas realidades dolorosas do que uma suposta verdade pela qual julgamos sempre lutar.


Que verdade querem que confessemos?