quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

You´ve done terrible things

Terrible things, Lawrence. You've done terrible things...

Há bem mais méritos do que problemas neste novo Lobisomem da Universal. A começar por uma apropriada compreensão do mito do monstro meio homem meio lobo. O lobisomem, como já disse Stephen King no Dança Macabra, é o arquétipo por trás de histórias como a do Dr. Jekyl: é a natureza instintiva e muitas vezes violenta que guardamos sob a roupagem da cultura e da civilização. Não é à toa, como se mostra nos bons filmes sobre o tema, nos quais se inclui a atual adaptação, que a transformação ocorre com o lobo que irrompe sob a superfície do homem. É uma metamorfose invariavelmente dolorosa.

Não pude ainda deixar de pensar, na primeira cena de despertar após a noite da transformação, que o mito do lobisomem pode muito bem encontrar ecos culposos em amargas manhãs de ressaca que seguem uma noite de terrível bebedeira, quando, embora a memória consciente possa não confirmar, a única explicação para o estado deplorável de nossas roupas e do nosso corpo vem da desagradável certeza de que fizemos coisas terríveis na noite passada. É claro que isso é um exagero, mas o horror vem também do excesso, assim como o riso.