terça-feira, 21 de agosto de 2007

Tropa de Elite por aí

Tem uma cópia em DVD rolando por aí do filme Tropa de Elite, do José Padilha (Ônibus 174). Segundo o próprio diretor, esta versão corresponderia ao 3º corte de montagem. Não sei qual é o último.

Duas coisas são interessantes nesta história, uma geral e outra específica:

1. De fato, ao menos para um certo público, o cinema - como experiência pública coletiva, telão e sala escura - já era. É facilmente e naturalmente substituído por um DVD. Ganha, neste caso, a conveniência: é mais barato, tem ali na esquina e passa ao espectador o gostinho de ver primeiro.

2. Pelos comentários que ouvi, o filme mexe fundo com o espectador próximo à "realidade mostrada" na tela. O boca-a-boca é forte, quem vê incentiva o outro a assistir e ninguém quer perder tempo. Parece que há um certo sentido de urgência que vai além da mera conveniência do gostinho de ver primeiro. Tem algo mais, que é da ordem do produto estético mesmo, de permitir acesso a algo que causa horror ao sujeito no cotidiano, mas que, quando é formalmente elaborado, produz algum sentido apazigaudor, sei lá.

Do ponto de vista estético, tudo leva a crer que uma forma se impõe no cinema brasileiro. Um certo realismo narrativo, com fotografia e cenários naturalistas, uso de não-atores, etc.

Mas o fato é que deverá ser o grande lançamento deste segundo semestre. A maior bilheteria, arriscaria, a despeito das cópias que já rodam por aí. E o cinema brasileiro precisa de filmes que falem com seu público (de preferência interrogando-o, questionando seu modo usual de ver filmes e de se relacionar com o mundo). Foi assim - e com apoio governamental - que as cinematografias asiáticas viraram o jogo da bilheteria contra Hollywood.

ps: ouvi dizer que o filme "detona" com a PM. Houve até quem dissesse que vão querer proibí-lo.

ps2: também me disseram que o filme impressiona mais do que uns vídeos violentíssimos que circulam pela internet de incursões policiais em favelas. Ao que consta, também esses vídeos são vendidos na esquina.

ps3: a estréia (nos cinemas) será em outubro. A Paramount antecipou a data por conta dessa cópia que rola por aí.

domingo, 19 de agosto de 2007

Alone, Espíritos 2 (sic)



Próxima sexta é dia de dormir de luz acesa.

Trailer no Youtube.

O hotsite brasileiro do filme tem já uns bagulinhos para quem se atreve: "se você tem webcam, clique aqui e veja se realmente você está sozinho".

Desabafo: como os títulos em português são ruins! Os filmes de horror asiáticos têm particularmente sofrido desse mal que acomete os distribuidores: preguiça ou burrice. Parece coisa de vendedor de batata!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Cloverfield


O filme já tem cartaz, já tem teaser, já tem data para estrear (18.01.2008), mas ainda não tem título - ao menos, ainda não foi divulgado. É produzido pelo J. J. Abrams (criador da série Lost) e dirigido por um tal Matt Reeves que, checo no Imdb, dirigiu um dos episódios de "Dimensão do Terror", que saiu aqui em dvd pela Dark Side.
Este tal projeto do Abrams tem sido chamado por aí, não sei por que informação ou boato, de Cloverfield. Como trata de algo "terrível" que vai acontecer a Nova York (EUA?), e talvez ao mundo (especulam um ataque de monstro), nada mais efetivo do que recorrer a estratégias de suspense também no marketing do filme.
Como dizia Mário Quintana: "O suspense é o strip-tease do horror". É o tal elástico do estilingue sendo puxado: quanto maior a pressão, mais forte será o disparo. Isto é, se o elástico na arrebentar antes.
Ah, tem site também: http://www.1-18-08.com/

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Conceição, ou autor bom é autor morto

Recebi por e-mail e publico aqui não só por apoio à causa, mas como dica mesmo para quem quer fugir da pasmaceira cinematográfica.



CONCEIÇÃO
ainda em cartaz no Arteplex

POR DANIEL CAETANO

Meus amigos,

Nosso filme continuará em cartaz no Rio e em São Paulo - a partir de amanhã nosso horário será no meio da tarde. No Rio de Janeiro será às 15h30, em SP o horário deve ser parecido.

Como a gente é abusado e não quer pouca coisa, pretendemos convencer o exibidor a nos dar uma chance no horário mais próprio a midnight movies a partir da semana que vem, mas para isso precisamos botar gente na casa sobretudo nesse fim de semana - pra evitar que vinguem as previsões mais sombrias.

Já temos motivo para comemorar bastante, porque não é pequeno o feito de botar esse filme nas salas por esses dias todos. mas a gente ainda tem potencial para mais - quem duvida disso?

Por isso peço a vocês para nos ajudarem nessa empreitada. O que está nos salvando do buraco negro é o boca-a-boca, a divulgação feita por quem gostou do filme e quer que os amigos vejam. Qualquer ajuda nesse sentido, divulgando o filme e levando mais gente a ir vê-lo, será uma ajuda preciosa.

abraços e beijos,
daniel

ps - alguns textos que saíram sobre o filme e que lavaram nossa alma:

Contracampo I
Digestivo Cultural
Contracampo II
Folha
Cine Qua Non
Cine Web
Reduto do Comodoro
Paisá
Carta Capital

Críticas negativas mesmo, tivemos as da Vejinha e do Globo. O que, de certa forma, também é um baita elogio!

Melhor Longa Metragem - Júri Popular
CINEESQUEMANOVO - Festival de Cinema de Porto Alegre

"Conceição: Onde passar não perca"
Marcelo Miranda

"O último filme brasileiro"
Luis Alberto Rocha Melo

"Uma descarga torrencial de deboche e anarquia. Conceição é fina igauria para todos aqueles que estudam ou amam o cinema e não se levam a sério demais"
Carlos Reichenbach

NOS CINEMAS
desde 27 de julho
Circuito Arteplex (Rio e São Paulo)
Em breve: Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre

Assista o avant trailler no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=ettjrWQ4zSs

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Em tempo: Conceição é o primeiro longa-metragem universitário do cinema brasileiro. Tenho certeza que logo logo não será mais o único. E aguardo o secundarista!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Brasília vai ser atacada por zumbis

Tiago Belotti comanda neste domingo (12/08) as filmagens da cena final de seu longa-metragem "A Capital dos Mortos", inspirado nos filmes de zumbis do cineasta norte-americano George A. Romero, que produziu os clássicos do gênero, tais como "A Noite dos Mortos-Vivos", "O Dia dos Mortos" e "O Despertar dos Mortos" entre os anos 60 e 70. Para a gravação das cenas com hordas de zumbis, o cineasta recrutou um exército. Voluntários foram convocados pela comunidade do grupo no Orkut, com mais de 1.300 membros, além de e-mails, comunicadores instantâneos e panfletos espalhados pela cidade para participar da cena. Num esquema de produção comum no modelo independente de fazer filmes no Brasil, reuniu amigos envolvidos com cinema e, do roteiro à maquiagem, participou de todas as etapas da produção.
A batalha, a partir de agora, é conseguir apresentar o filme ao mercado. A idéia é tentar lançar o longa no circuito de arte de Brasília em novembro, quando a montagem de "A capital dos mortos" deve estar finalizada. Já em dezembro, o filme deve ganhar versão em DVD para venda, com muitos extras. Belotti também já está em contato com locadoras para acertar a distribuição do longa.
Fonte: G1, 12/08, matéria

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Syd Field em São Paulo

O best-seller dos manuais de roteiro estará em São Paulo para uma palestra gratuita.

Eu mesmo comecei a estudar o tema pelos livros dele e acho até o "4 Roteiros" muito bom. Pricincipalmente porque se trata da análise de filmes e conta com depoimentos dos próprios roteiristas. O capítulo sobre "O Silêncio dos Inocentes" vale a pena ser lido com particular atenção, sobretudo para quem, como eu, é fã do filme.

Syd Field é um grande nome porque conseguiu formular sucinta e objetivamente - como o mercado a que serve exige - algo que é realizado pelos roteiristas de cinema e que vem de certa compreensão da dramartugia que, por sua vez, vem de certa leitura - normativa, é verdade - da Poética de Aristóteles.

De todo modo, é um autor que vale a pena conhecer, mesmo que reste algumas dúvidas sobre a real incidência de seus livros no cinema de Hollywood. Quem já leu os manuais mais vendidos, sabe que são todos muito parecidos.

*Palestra de Syd Field***

*Data:* 27 de setembro, às 19h30

*Inscrições:* Tel. 11 5644-9774 E-mail cultural@alumni.org.br

*Número de vagas*: 180 *Entrada*: gratuita, por ordem de inscrição

*Site:* www.alumni.org.br

*Local:* Centro Cultural Alumni - Rua Brasiliense, 65 Chácara Santo Antônio

Acesso a portadores de deficiência física.

*Estacionamento *com manobrista R$ 5,00

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Saneamento Básico, Fellini e Deleuze


Acabo de assistir a Saneamento Básico, do Jorge Furtado. Saio da sala e lembro do Deleuze citando Fellini: "quando não houver mais dinheiro, o filme estará terminado".

Estou com forte impressão de que o gaúcho deve ter lido o francês.

Está lá no Imagem-tempo:

"(...) não tendo mais história para contar, ele [o cinema] tomaria a si próprio por objeto e só poderia contar sua própria história"

"Notaremos que, em todas as artes, a obra dentro da obra freqüentemente esteve ligada à consideração de uma vigilância, de uma investigação, vingança, conspiração ou complô."

"O próprio cinema como arte vive numa relação direta com um complô permanente, uma conspiração internacional que o condiciona de dentro, como o mais íntimo, o mais indispensável. Essa conspiração é a do dinheiro; o que define a arte industrial não é a reprodução mecânica, mas a relação, que se interiorizou com o dinheiro."

"O dinheiro é o avesso de todas as imagens que o cinema mostra e monta do lado direito, de modo que os filmes sobre o dinheiro já são, embora implicitamente, filmes dentro do filme ou sobre o filme."

"(...) nunca haverá equivalência ou igualdade na tgroca mútua câmera-dinheiro."

"É o que mina o cinema, a velha maldição: o dinheiro é tempo".

Me ocorre que muito se fala de dinheiro no filme - interessante o uso das equivalências: vestido = 300 reais = 18 sacos de cimento - mas o dinheiro mesmo pouco ou nada aparece...