quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os Agentes do Destino

R$ 4,00 na promoção do cartão de crédito e tive direito a uma projeção bem ruinzinha de Os Agentes do Destino, no Kinoplex Boulevard, aqui em Brasília.

Uma pena, porque o filme é bacana e gostaria de tê-lo assistido em condições melhores.



O que eu mais gostei foi o imaginário trabalhado pelo filme. Não sei se o conto de Phillip K. Dick, do qual o filme é uma adaptação, é ambientado em Nova York. Mas achei muito interessante essa opção de situar a história na Nova York dos dias de hoje. Primeiro porque Nova York é uma das cidades mais populosas do mundo, o que torna a história mais atraente, já que trata de encontros improváveis, o destino e o acaso. E segundo, porque há no imaginário da cidade, de décadas atrás, na primeira metade do século XX, um ideal corporativo que me parece o referencial para essa organização que controla o destino dos homens. Esses agentes de sobretudo e chapéu, os prédios enormes, a biblioteca, os livros. Há um certo ar retrô que perpassa todo o filme e que me parece dizer respeito sobretudo a Nova York. A organização hierarquizada, onde cada membro cumpre uma determinada função sem ter o conhecimento do todo remete à época das grandes corporações da época de ouro da América.



Há o tema do amor, muito bem expresso pelo casal protagonista, principalmente nas primeiras cenas, quando se apaixonam. Se ali a coisa não funcionasse, o filme iria por água abaixo. Por que, do contrário, quem iria crer em toda a luta que o personagem empreende contra os osbtáculos para realização desse amor?

Finalmente, questão do conflito livre arbítrio x predeterminação, cara ao ideário liberal, pode ser superposta a toda a trama. Embora a fala em off ao final indique que o exercício do livre arbítrio seja uma questão de aprendizagem, o próprio filme não resolve bem isso ao estabelecer também que, antes de tudo, "estava escrito" que era para os dois personagens ficarem juntos. Portanto, segue em aberto a questão: quem escolhe quando e como nos apaixonamos?

Take Shelter - Trailer

Um dos filmes que mais me chamou atenção dessa safra de Cannes é Take Shelter, de Jeff Nichols. Para começar, o protagonista é o ótimo Michael Shannon e o trailer é bem instigante. O personagem é assombrado por um medo de algo terrível e, ao que parece, ninguém, ao seu redor, compartilha de seu temor.

A estreia nos EUA será em outubro. Por cá, ainda sem previsão.

domingo, 22 de maio de 2011

Filmes de Cannes com lançamento garantido no Brasil

Para o espectador brasileiro, uma grande notícia: os filmes mais aguardados de Cannes já têm estreia garantida no Brasil. Os novos filmes de Woody Allen e Terrence Malick estréiam ainda em junho, enquanto Lars Von Trier e Almodóvar estão garantidos para o segundo semestre.

Confira a lista abaixo:

17 de junho - "Meia-Noite em Paris", de Woody Allen

24 de junho - "A Árvore da Vida", de Terrence Malick

5 de agosto - "Melancolia", de Lars Von Trier

4 de novembro - "O Garoto de Bicicleta", de Luc e Jean-Pierre Dardenne

25 de novembro - "La Piel que Habito", de Pedro Almodóvar

Filmes já comprados pelas distribuidoras, mas sem data definida:

Imagem Filmes

"This Must Be The Place", de Paolo Sorrentino, com Sean Penn;

"Drive", de Nicolas Winding Refn, com Ryan Gosling.

Fox

"Martha Marcy May Marlene", de Sean Durkin.

Imovision

"Les Bien Aimés", de Christophe Honoré, com Catherine Deneuve e Louis Garrel;

"Le Havre", de Aki Kaurismaki;

"Ceci n'est pas un film" (Isto não é um filme), de Jafar Panahi;

"La Guerre est Declaré" (A guerra está declarada), de Valérie Donzelli;

"Toutes nos Envies", de Philippe Lioret (diretor de "Bem-Vindo");

"Amour", de Michael Haneke ("A Fita Branca"), com Isabelle Huppert - em finalização;

"Un Été Brulant" (Um verão escaldante), de Phillippe Garrel (diretor de "Amantes Constantes"), com Louis Garrel e Monica Bellucci - em finalização;

"The Angel's Share", de Ken Loach - em filmagem "7 Days in Havana" - longa composto de sete segmentos com direção de Beinicio Del Toro (ator de "Lobisomem"), Julio Medem ("Lucia e o Sexo"), Laurent Cantet ("Entre os Muros da Escola"), Pablo Trapero ("Abutres"), Juan Carlos Tabio ("Morango e Chocolate"), Elia Suleiman ("O que resta do tempo") e Gaspar Noé ("Irreversível") - em pós-produção.

Fonte: UOL Cinema