Uma pena, porque o filme é bacana e gostaria de tê-lo assistido em condições melhores.

O que eu mais gostei foi o imaginário trabalhado pelo filme. Não sei se o conto de Phillip K. Dick, do qual o filme é uma adaptação, é ambientado em Nova York. Mas achei muito interessante essa opção de situar a história na Nova York dos dias de hoje. Primeiro porque Nova York é uma das cidades mais populosas do mundo, o que torna a história mais atraente, já que trata de encontros improváveis, o destino e o acaso. E segundo, porque há no imaginário da cidade, de décadas atrás, na primeira metade do século XX, um ideal corporativo que me parece o referencial para essa organização que controla o destino dos homens. Esses agentes de sobretudo e chapéu, os prédios enormes, a biblioteca, os livros. Há um certo ar retrô que perpassa todo o filme e que me parece dizer respeito sobretudo a Nova York. A organização hierarquizada, onde cada membro cumpre uma determinada função sem ter o conhecimento do todo remete à época das grandes corporações da época de ouro da América.

Há o tema do amor, muito bem expresso pelo casal protagonista, principalmente nas primeiras cenas, quando se apaixonam. Se ali a coisa não funcionasse, o filme iria por água abaixo. Por que, do contrário, quem iria crer em toda a luta que o personagem empreende contra os osbtáculos para realização desse amor?
Finalmente, questão do conflito livre arbítrio x predeterminação, cara ao ideário liberal, pode ser superposta a toda a trama. Embora a fala em off ao final indique que o exercício do livre arbítrio seja uma questão de aprendizagem, o próprio filme não resolve bem isso ao estabelecer também que, antes de tudo, "estava escrito" que era para os dois personagens ficarem juntos. Portanto, segue em aberto a questão: quem escolhe quando e como nos apaixonamos?