
Hoje, não é novidade a preocupação dos grandes estúdios com o surgimento de outras formas de entretenimento decorrentes das novas tecnologias. O cinema, tal como nos anos 50, vem perdendo seu público para outras mídias, sobretudo os videogames e a Internet.
É aí, no entanto, que entra o casamento entre a visão do artista e as aspirações da indústria, casamento que é a base de toda produção de Hollywood.
E essa união tem um propósito muito claro: ganhar dinheiro oferecendo fantasia em forma de histórias. O que o cinema americano sempre se propôs a fazer é povoar a mente dos espectadores com histórias. Toda a técnica do cinema americano tem a finalidade de promover o encontro do espectador com a história que está sendo contada. Podemos ver, mesmo em Avatar que o assombro do público diante dos efeitos especiais hiperrealistas encontra paralelo no assombro dos próprios personagens diante da paisagem: “Vocês deviam ver suas caras!”, diz a personagem de Michelle Rodriguez. A quem ela se dirige? Aos demais personagens da cena ou ao público na sala de cinema.
Em tempos de economia em crise, esta fórmula é ainda mais efetiva. Nos EUA e em boa parte do mundo (não no Brasil), o cinema é uma das formas de lazer mais baratas que existem. E mais do que simplesmente ser um lazer barato, faz o público esquecer a vida lá fora. E isso é Avatar. A chance de viver outra vida, ser outra pessoa, esquecer os limites do corpo e mergulhar no mar infinito da mente humana.
É por essa razão que não acho que Avatar seja uma revolução na história do cinema, como eu mesmo, em alguns momentos, achei que poderia vir a ser. Avatar é uma tentativa de salvar o cinema, o tipo de cinema que Hollywood sempre fez e sempre exportou ao mundo. E o modo como pensaram em salvá-lo foi o de reforçar seus princípios de contador de histórias: o espetáculo, a fantasia, o sonho, a vida mental sem os limites do corpo. No mundo de hoje, esse caminho somente pode ser trilhado pelas vias da tecnologia, do computador, da imagem digital, nossas “portas da percepção”.
Se a missão será cumprida e esse cinema será salvo é outra história e só daqui a alguns anos saberemos. De todo modo, para quem viveu na infância o boom do cinema americano de fantasia dos anos 80, ainda que este cinema não sobreviva, fez de Avatar um belíssimo canto de cisne.
2 comentários:
Boa Browson! Concordo que não é mesmo a revolução prometida. Falando em outra revolução essa não será nem mesmo televisionada como dizem... Acho q a grande mudança para o cinema-mundo está nas mãos e mentes dos VJ's...
Escrevi também alguma coisa na http://pontesobreoabismo.blogspot.com/2009/12/questao-de-avatar.html
É isso aí, Bernardo. Concordo contigo. Mas independente de não ser a tão esperada revolução, é, sem dúvida, um dos melhores filmes desse estilo que assisti recentemente.
Abraços!
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