Uma pesquisa recente, divulgada pela Folha de São Paulo, indica que a "falta de interesse" é o motivo mais comum para as pessoas não irem ao cinema ou ao teatro. Mesmo sem conhecer o teor completo da pesquisa, essa informação me parece como mais um elemento favorável à ideia de que o cinema, principalmente, vem deixando de ser um produto massificado, para todo e qualquer um, como um dia foi (ou pretendeu ser).
Por outro lado, informações recentes de mercado dão conta que cresce o número de ingressos vendidos, bem como o número de salas instaladas no país. Portanto, não me parece preocupante, do ponto de vista do negócio ou da atividade, que 30% da população de São Paulo demonstre não ter interesse em frequentar salas de cinema. Quero crer que o cinema, como o teatro já o fez um dia, se dirige a público determinado.
A configuração típica da recepção cinematográfica, qual seja, frequencia coletiva, sala escura, passividade do espectador, bem como as configurações técnicas e narrativas, dizem respeito muito mais ao modo de vida do século XX do que as demandas próprias do nosso século atual.
Que fique claro: não quero, com isso, dizer que o cinema está morto ou ultrapassado. Pelo contrário: ao longo de sua história, a arte cinematográfica demonstrou enorme capacidade de se reinventar e enfrentar todos os desafios de seu tempo. O que vejo como mudança é o lugar do cinema, tal como se desenvolveu no século passado, isto é, econômica, social e artisticamente; esse cinema, ora projetado e gerido como um produto de massa, deve encontrar novas configurações para dialogar com o século XXI. E acredito que, aí, poderá se apresentar em novas potencialidades. Algumas, talvez, nem tão novas assim, mas esquecidas em décadas de formatação mercadológica.
A matéria da Folha pode ser lida aqui.
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