quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Enterrado Vivo

Na primeira metade da década passada, o bom cinema de gênero era feito na Ásia. Já há alguns anos, acho que os espanhóis ocuparam o posto. Enterrado Vivo conta 90 minutos dentro de uma caixa e é um baita filme de ação. Ação constrita, mas com a mesma estrutura narrativa dos melhores do gênero. O espírito é Hitchcock.



Numa entrevista recente, o diretor Rodrigo Cortés disse o seguinte: “uma vez que as engrenagens da máquina dramática estão no lugar, o próximo passo é conceber o filme visualmente em sua cabeça, fazer uma lista de planos que juntos possam cativar o espectador, segurar a atenção sem deixar brecha para a distração; e a narrativa deve variar com o avanço da história, por meio de ritmos diferentes e um leque variado de opções expressivas usado para manter a história original e os olhos do espectador grudados na tela.”

É esse pensamento que revela a capacidade do filme de manter o suspense e a atenção do espectador, como num filme de gênero tradicional, mesmo que toda a ação seja constrita a um espaço físico limitado. A lição de Hitchcock é prover a narrativa por meio de uma relação mental entre as imagens, muito mais do que na mera associação sensório-motora do cinema clássico.

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