
Acabo de assistir a
Saneamento Básico, do Jorge Furtado. Saio da sala e lembro do Deleuze citando Fellini: "quando não houver mais dinheiro, o filme estará terminado".
Estou com forte impressão de que o gaúcho deve ter lido o francês.
Está lá no
Imagem-tempo:
"(...) não tendo mais história para contar, ele [o cinema] tomaria a si próprio por objeto e só poderia contar sua própria história"
"Notaremos que, em todas as artes, a obra dentro da obra freqüentemente esteve ligada à consideração de uma vigilância, de uma investigação, vingança, conspiração ou complô."
"O próprio cinema como arte vive numa relação direta com um complô permanente, uma conspiração internacional que o condiciona de dentro, como o mais íntimo, o mais indispensável. Essa conspiração é a do dinheiro; o que define a arte industrial não é a reprodução mecânica, mas a relação, que se interiorizou com o dinheiro."
"O dinheiro é o avesso de todas as imagens que o cinema mostra e monta do lado direito, de modo que os filmes sobre o dinheiro já são, embora implicitamente, filmes dentro do filme ou sobre o filme."
"(...) nunca haverá equivalência ou igualdade na tgroca mútua câmera-dinheiro."
"É o que mina o cinema, a velha maldição: o dinheiro é tempo".
Me ocorre que muito se fala de dinheiro no filme - interessante o uso das equivalências: vestido = 300 reais = 18 sacos de cimento - mas o dinheiro mesmo pouco ou nada aparece...