Mostrando postagens com marcador cinema brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema brasileiro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Todos juntos reunidos numa pessoa só?

Eles não são dali. São de fora da cidade e vieram a São Paulo para a faculdade. Se conhecem no início das aulas numa festa. E acabam por dividir um banheiro. A necessidade não espera. É a menina, Camila, que dá a idéia: “Por que não vamos os três juntos? Têm vergonha?”

O banheiro é o primeiro espaço de intimidade contestado. Intimidade do corpo. E lá mesmo se fotografam. A presença da câmera. No discurso de Casé, é função da imagem registrar “um momento histórico”, único, portanto e, assim, fugaz.

Do banheiro, passam a dividir um apartamento. Como sabemos, são forasteiros, sem lugar. Ali se forma uma unidade: os 3. Assim são chamados pelos colegas de faculdade. Mas o filme não chega a desenvolver o que os leva a se aproximarem tanto, a “serem como um só”. Uma espécie de nova família, mais do que vínculo de amizade, porque há uma regra fundamental, como uma lei do incesto: “não pode rolar nada entre a gente, nem um beijo”. Mais uma vez, é Camila quem dá as cartas. Ainda que haja alguma contestação, oficialmente é essa regra que faz com que acreditem que possam ficar juntos, o que os faz tão bem.



 Mas as coisas vão mudar. Primeiro porque Rafael vai perceber que essa regra não era tão rígida assim, como ele achava; e segundo porque recebem uma proposta, de expor ao mundo o seu modo de vida, o seu cotidiano.

De início, suas vidas não são atraentes, a presença das câmeras, do registro para além do fugaz, os intimida. O que vai romper a monotonia é a entrada em cena da lógica do capital. Quando são informados que o seu projeto é um fracasso, que serão cancelados porque ninguém os consome, acabam por expor, ainda que involuntariamente e de forma apenas sugestiva, o aspecto de triângulo amoroso/afetivo que os constituía como grupo. Tudo muda.

A partir de então, a lógica do capital, do que atende ao apelo de um outro, consumidor, jamais exposto (tributo voyeurista), passa reger a cena e a dinâmica entre Os 3. E o filme se acredita refletir sobre o que é real ou ficção, já que os próprios personagens demonstram se confundir nas histórias que eles mesmo criam para si.

No entanto, o que permanece de mais atual e que traz maior interesse ao filme é não perder de vista que todo o drama de não se reconhecer nos papéis que cada personagem desempenha – tendo sido criado por si mesmo ou não – é tributário de uma ordem comercial que perpassa tudo o que expõem. As situações dramáticas dão certo ou não à medida que aumentam ou diminuem o lucro do projeto.



“Está na hora de encerrar esse nosso projeto de marketing”, diz um dos executivos que bancam a “aventura” dos jovens. Afinal, era um projeto comercial ou um projeto de vida? A julgar pela marca da espontaneidade do trio (a indomável, o audacioso, o sensível), talvez nem eles saberiam responder?

Mas quando, afinal, a dor resolve marcar presença e escancarar que o ideal de complementaridade afetiva, de braços abertos à lógica do capital, não contempla os seus desejos, resolvem - primeiro, Rafael, e depois, Camila - romper com o arranjo. Como mote dramático do filme e do projeto “ficcional” deles, a unidade d’Os 3 estava todo o tempo ameaçada, e a saída será, enfim, o rompimento com a lógica do capital. Surpreendentemente, será essa saída que trará de novo Os 3 para perto um do outro.

Ao final, o que permanece, portanto, ainda é a crença de uma espécie de complementaridade e pertencimento. Se não encontrada em ideais românticos na figura do casal ou da família mononuclear, ainda assim, presente nessa nova tríade, “como se fossem um só”.

domingo, 22 de junho de 2008

O Mestre do Terror está de volta!

O ano que trouxe a volta do mestre italiano Dario Argento à sua trilogia materna trará também a volta do mestre brasileiro Mojica ao lugar que merece: a tela grande, concluindo também sua trilogia, iniciada em 64, com "À meia-noite levarei sua alma", e seguida em 67, por "Esta noite encarnarei em teu cadáver".

Um dos maiores ícones do cinema popular brasileiro, adorado por uma jovem geração que só o conhece da tela da TV, estréia novo filme, Encarnação do Demônio, neste 6 de agosto. Mojica nunca teve tantos recursos de produção e provavelmente de distribuição. A Fox entrou no projeto e espero que ela capriche na colocação do filme e na divulgação. O trailer já está bem bacana.

E desconfio que o filme terá uma bela carreira internacional, porque as tendências do cinema de terror mundial se aproximam muito daquilo que o Mojica faz.

Pelo trailer, podemos esperar muito sangue, mulheres nuas, insetos, gritos e maldições!

E ainda tem Jece Valadão em sua última participação no cinema.

O sangue é eterno!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Conceição, ou autor bom é autor morto

Recebi por e-mail e publico aqui não só por apoio à causa, mas como dica mesmo para quem quer fugir da pasmaceira cinematográfica.



CONCEIÇÃO
ainda em cartaz no Arteplex

POR DANIEL CAETANO

Meus amigos,

Nosso filme continuará em cartaz no Rio e em São Paulo - a partir de amanhã nosso horário será no meio da tarde. No Rio de Janeiro será às 15h30, em SP o horário deve ser parecido.

Como a gente é abusado e não quer pouca coisa, pretendemos convencer o exibidor a nos dar uma chance no horário mais próprio a midnight movies a partir da semana que vem, mas para isso precisamos botar gente na casa sobretudo nesse fim de semana - pra evitar que vinguem as previsões mais sombrias.

Já temos motivo para comemorar bastante, porque não é pequeno o feito de botar esse filme nas salas por esses dias todos. mas a gente ainda tem potencial para mais - quem duvida disso?

Por isso peço a vocês para nos ajudarem nessa empreitada. O que está nos salvando do buraco negro é o boca-a-boca, a divulgação feita por quem gostou do filme e quer que os amigos vejam. Qualquer ajuda nesse sentido, divulgando o filme e levando mais gente a ir vê-lo, será uma ajuda preciosa.

abraços e beijos,
daniel

ps - alguns textos que saíram sobre o filme e que lavaram nossa alma:

Contracampo I
Digestivo Cultural
Contracampo II
Folha
Cine Qua Non
Cine Web
Reduto do Comodoro
Paisá
Carta Capital

Críticas negativas mesmo, tivemos as da Vejinha e do Globo. O que, de certa forma, também é um baita elogio!

Melhor Longa Metragem - Júri Popular
CINEESQUEMANOVO - Festival de Cinema de Porto Alegre

"Conceição: Onde passar não perca"
Marcelo Miranda

"O último filme brasileiro"
Luis Alberto Rocha Melo

"Uma descarga torrencial de deboche e anarquia. Conceição é fina igauria para todos aqueles que estudam ou amam o cinema e não se levam a sério demais"
Carlos Reichenbach

NOS CINEMAS
desde 27 de julho
Circuito Arteplex (Rio e São Paulo)
Em breve: Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre

Assista o avant trailler no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=ettjrWQ4zSs

#################################################

Em tempo: Conceição é o primeiro longa-metragem universitário do cinema brasileiro. Tenho certeza que logo logo não será mais o único. E aguardo o secundarista!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Brasília vai ser atacada por zumbis

Tiago Belotti comanda neste domingo (12/08) as filmagens da cena final de seu longa-metragem "A Capital dos Mortos", inspirado nos filmes de zumbis do cineasta norte-americano George A. Romero, que produziu os clássicos do gênero, tais como "A Noite dos Mortos-Vivos", "O Dia dos Mortos" e "O Despertar dos Mortos" entre os anos 60 e 70. Para a gravação das cenas com hordas de zumbis, o cineasta recrutou um exército. Voluntários foram convocados pela comunidade do grupo no Orkut, com mais de 1.300 membros, além de e-mails, comunicadores instantâneos e panfletos espalhados pela cidade para participar da cena. Num esquema de produção comum no modelo independente de fazer filmes no Brasil, reuniu amigos envolvidos com cinema e, do roteiro à maquiagem, participou de todas as etapas da produção.
A batalha, a partir de agora, é conseguir apresentar o filme ao mercado. A idéia é tentar lançar o longa no circuito de arte de Brasília em novembro, quando a montagem de "A capital dos mortos" deve estar finalizada. Já em dezembro, o filme deve ganhar versão em DVD para venda, com muitos extras. Belotti também já está em contato com locadoras para acertar a distribuição do longa.
Fonte: G1, 12/08, matéria

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Saneamento Básico, Fellini e Deleuze


Acabo de assistir a Saneamento Básico, do Jorge Furtado. Saio da sala e lembro do Deleuze citando Fellini: "quando não houver mais dinheiro, o filme estará terminado".

Estou com forte impressão de que o gaúcho deve ter lido o francês.

Está lá no Imagem-tempo:

"(...) não tendo mais história para contar, ele [o cinema] tomaria a si próprio por objeto e só poderia contar sua própria história"

"Notaremos que, em todas as artes, a obra dentro da obra freqüentemente esteve ligada à consideração de uma vigilância, de uma investigação, vingança, conspiração ou complô."

"O próprio cinema como arte vive numa relação direta com um complô permanente, uma conspiração internacional que o condiciona de dentro, como o mais íntimo, o mais indispensável. Essa conspiração é a do dinheiro; o que define a arte industrial não é a reprodução mecânica, mas a relação, que se interiorizou com o dinheiro."

"O dinheiro é o avesso de todas as imagens que o cinema mostra e monta do lado direito, de modo que os filmes sobre o dinheiro já são, embora implicitamente, filmes dentro do filme ou sobre o filme."

"(...) nunca haverá equivalência ou igualdade na tgroca mútua câmera-dinheiro."

"É o que mina o cinema, a velha maldição: o dinheiro é tempo".

Me ocorre que muito se fala de dinheiro no filme - interessante o uso das equivalências: vestido = 300 reais = 18 sacos de cimento - mas o dinheiro mesmo pouco ou nada aparece...