quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tem ido ao cinema? Tem valido a pena?

Uma pesquisa recente, divulgada pela Folha de São Paulo, indica que a "falta de interesse" é o motivo mais comum para as pessoas não irem ao cinema ou ao teatro. Mesmo sem conhecer o teor completo da pesquisa, essa informação me parece como mais um elemento favorável à ideia de que o cinema, principalmente, vem deixando de ser um produto massificado, para todo e qualquer um, como um dia foi (ou pretendeu ser).

Por outro lado, informações recentes de mercado dão conta que cresce o número de ingressos vendidos, bem como o número de salas instaladas no país. Portanto, não me parece preocupante, do ponto de vista do negócio ou da atividade, que 30% da população de São Paulo demonstre não ter interesse em frequentar salas de cinema. Quero crer que o cinema, como o teatro já o fez um dia, se dirige a público determinado.

A configuração típica da recepção cinematográfica, qual seja, frequencia coletiva, sala escura, passividade do espectador, bem como as configurações técnicas e narrativas, dizem respeito muito mais ao modo de vida do século XX do que as demandas próprias do nosso século atual.

Que fique claro: não quero, com isso, dizer que o cinema está morto ou ultrapassado. Pelo contrário: ao longo de sua história, a arte cinematográfica demonstrou enorme capacidade de se reinventar e enfrentar todos os desafios de seu tempo. O que vejo como mudança é o lugar do cinema, tal como se desenvolveu no século passado, isto é, econômica, social e artisticamente; esse cinema, ora projetado e gerido como um produto de massa, deve encontrar novas configurações para dialogar com o século XXI. E acredito que, aí, poderá se apresentar em novas potencialidades. Algumas, talvez, nem tão novas assim, mas esquecidas em décadas de formatação mercadológica.

A matéria da Folha pode ser lida aqui.

sábado, 1 de maio de 2010

Piranha 3D

Previsão de estreia no Brasil para novembro!



A direção é de Alexandre Aja (Alta Tensão, Hills Have Eyes).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Comunicado Fantaspoa 2010

COMUNICADO OFICIAL ENVIADO POR JOÃO PEDRO FLECK E NICOLAS TONSHO, ORGANIZADORES DO VI FANTASPOA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA FANTÁSTICO DE PORTO ALEGRE :

Daqui a quatro meses estará ocorrendo o VI Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Em virtude disso, estamos enviando o seguinte e-mail para tratar de três assuntos: (1) a submissão de curtas-metragens para seleção; (2) a programação do festival de 2010; e (3) a continuidade do festival após o ano de 2010.

1. Inscrições abertas para curtas-metragens:

O Fantaspoa está com inscrições abertas para a mostra competitiva de curtas-metragens. As inscrições vão até o dia 15 de abril. Podem ser submetidos filmes realizados após 2006 e dos gêneros fantasia, ficção-científica, horror e suspense. Para maiores informações, contato pelo e-mail : fantaspoa@fantaspoa.com.

2. A programação do festival de 2010:

Aqueles que acompanham o evento se surpreenderão com a programação que iremos apresentar em 2010. A Competição Internacional contará com uma série de títulos de grande importância que vem marcando presença em alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo (de gênero fantástico ou não). Uma maior diversidade de gêneros estará presente, assim como de países. As mostras paralelas serão bem variadas e o que podemos adiantar é a presença do renomado diretor italiano Luigi Cozzi. Entre os dias 06 e 09 de julho, ele fará uma série de palestras. Cozzi dirigiu mais de 15 longas-metragens (dentre eles, Starcrash, Alien Contamination ePaganini Horror) e trabalhou com atores como David Hasselhoff, Caroline Munro, Lou Ferrigno, Klaus Kinski e Donald Pleasence. Também escreveu roteiros de filmes realizados por colegas talentosos, como Dario Argento, Lamberto Bava e Joe D’Amato. Dentre uma série de outras mostras, o VI Fantaspoa exibirá uma mostra retrospectiva do trabalho de Luigi, contendo 12 de suas obras.

E o ponto principal:

3. A continuidade do festival após o ano de 2010:

Inicialmente queremos esclarecer que sabemos que algumas pessoas não apreciam o nosso festival, seja pelos filmes que exibimos, ou pelo fato de exibirmos a maioria dos filmes em DVD e em Blu-Ray. Somente queríamos deixá-los a par do fato que recentemente fizemos um levantamento de custos para podermos trazer filmes em 35 mm esse ano. Como nenhum dos filmes que exibimos possui cópias no Brasil, a média de frete (ida e volta) da Europa e EUA, é de aproximadamente R$ 10.000,00 POR filme. Além disso, existe a cobrança de taxas para exibição de uma série de filmes. Por exemplo, poderíamos exibir um dos filmes vencedores do festival de Cannes esse ano e, além do valor do frete, teríamos que pagar uma fee (taxa de exibição) de R$ 2.500,00.

Já lemos em diversos sites e blogs reclamações sobre a nossa programação e que deveríamos trazer uma série de filmes, dentre os quais podemos citar somente alguns: Martyrs, The Children, Frontier(s), Dead Snow, ZMD e Must Love Death. O que as pessoas não sabem é que nós TENTAMOS trazer cada um desses filmes e todos se enquadram no caso acima. Ou seja, além de uma fee exorbitante, a obrigatoriedade da exibição em película.

Para aqueles que conhecem mais de perto o nosso evento sabem que realizamos o mesmo com auto-investimento e que o nosso orçamento total gira em torno de R$ 25.000,00 e que, portanto, pagar fees de R$ 2.500,00 ou trazer filmes em outras mídias se tornam inviável. Além disso, as salas que utilizamos não possuem projetores de HDCam nem Digibeta. Além do valor que investimos a fundo perdido, temos todo o trabalho de produzir o festival, selecionar e legendar cada um dos filmes. Nós não temos nenhum apoiador/patrocinador, público ou privado que cubra os gastos do festival e os mesmos se tornaram altos demais para continuarmos com o projeto.

Estamos tentando aprimorar o nosso evento, apesar da dificuldade de receber qualquer apoio e patrocínio realmente significativo. Pelo segundo ano estamos inscritos na Lei Rouanet e apesar de contatarmos uma série de empresas, não estamos conseguindo nenhum tipo de apoio. Se por acaso você conhece alguma empresa que possa nos apoiar, peço que nos passem o contato do responsável, para que possamos enviar o nosso projeto para eles. Um evento independente, que em uma cidade como Porto Alegre, nas salas do centro, leva 6.000 espectadores ao cinema ao longo de somente dezoito dias não deveria simplesmente deixar de existir. E infelizmente isso acontecerá caso a situação não mude em 2010.

Nós realmente precisamos de apoio urgente para que o festival não seja cancelado, e o apoio necessário é financeiro. Você pode ajudar publicando essa mensagem em seu site, blog ou enviando para os amigos.

O Oscar que quebrou tabus

Até agora, a melhor coisa que li sobre o Oscar 2010.


Walter Salles: o Oscar que quebrou tabus


17/03/2010 - 08:00 (O Globo)

http://moglobo.globo.com/blogs/blog.asp?blg=/blogs/cinema//@275138

A versão 2010 do oscar foi, talvez, a mais reveladora dos últimos anos. Terminou com a vitória de um filme independente que demorou cinco anos para encontrar financiamento e que, até o festival de Toronto de 2009, não tinha distribuidor. Por pouco, o excelente filme de Kathy Bigelow, "The hurt locker" (ou "Guerra ao terror" na sua infeliz tradução brasileira), não teria chegado ao público.

O primeiro tabu que foi ao chão com a vitória de "Guerra ao terror" sobre "Avatar" é o de que a crítica cinematográfica não faz mais diferença. Faz, e muita. Não fossem as vitórias incontestáveis do filme de Bigelow nas Associações de críticos de Nova Iorque, Los Angeles e dezenas de outras cidades americanas, não fossem as vitórias como melhor filme e melhor diretor outorgadas pela respeitadíssima Associação de críticos de Londres, "Guerra ao terror" não teria chegado com tamanha força ao Oscar.

Sintomaticamente, pode-se pensar que no seio da chamada "indústria", Bigelow representaria o filme de autor em confronto com o filme comercial. Também não foi o que aconteceu, e essa talvez seja a constatação mais interessante do Oscar para o Brasil, em um momento em que alguns teimam por aqui em opor "cinema popular" e "cinema de autor": os irmãos Coen, Tarantino, Bigelow, Eastwood e mesmo Jim Cameron representam o cinema de autor que dialoga, em graus variados, com o público. Campanella, idem, na Argentina. Audiard, do ótimo "Um profeta", faz a mesma coisa na França.

Outra lição, que os editores de "Guerra ao terror" lembraram ao receber o Oscar: o filme foi feito sem concessão, sem os testes de audiência de praxe nos EUA, sem interferência externa de distribuidores. Por aqui, há quem defenda com anos de atraso esses "testes de audiência" como um admirável mundo novo para a cinematografia brasileira. Como se fossem diferentes daqueles que as novelas de TV fazem, com competência, há 30 anos..

O Oscar 2010 também evidenciou, na decisão do Melhor Filme Estrangeiro, a distância que separa o evento americano dos grandes festivais europeus.. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, "A fita branca", o brilhante filme de Haneke, era dado como favorito ao Oscar. A vitória de Campanella surpreendeu a muitos, mas premia um diretor rigoroso, de grande domínio narrativo. Campanella conhece bem os códigos cinematográficos americanos, tendo dirigido episódios de seriados como "House". Poderia estar filmando nos Estados Unidos, mas não abdica de trabalhar junto de suas raízes. Cinema com uma mirada própria, que a Academia já havia reconhecido com a indicação de seu filme anterior - "O filho da noiva".

Cinema de ator, também, porque há que se relevar o fator Ricardo Darín. Não é à toa que Javier Bardem o considera o melhor ator da sua geração em língua espanhola. Darín é um ator que humaniza personagens como ninguém. Na primeira vitória argentina no Oscar, a excepcional Norma Aleandro havia conquistado corações e mentes em "A História oficial", de Luiz Puenzo. No filme de Campanella, é Darín quem sustenta a trama.

Campanella foi o primeiro a dizer que uma vitória no Oscar não vai resolver os problemas estruturais do cinema argentino. No entanto, é inegável que vai trazer mais oxigênio a uma cinematografia que já tem o mérito de permitir que gerações diferentes de cineastas possam se expressar livremente, e com constância. Com financiamento centralizado no INCAA (Instituto de Cinema e Audiovisual Argentino), de forma não muito diferente da antiga Embrafilme, o cinema dos nossos hermanos consegue ser plural e, a cada ano, revelar novos diretores. Isso, a custos muito inferiores a dos filmes brasileiros - uma das vantagens de não se trabalhar com incentivos fiscais.

Se o cinema argentino é bom, é também graças à existência de grandes produtores que ajudam a pensar e conceitualizar um filme, como Oscar Kramer ("A História oficial") ou Lita Stantic ("O pântano"). Também graças a eles, os temas eleitos não são quase nunca tratados de forma frontal, e sim indireta. Nada soa didático, sublinhado. Os espaços em branco convidam o espectador a entrar dentro do filme.

As pontas se juntam: o crítico Peter Bradshaw, do jornal inglês "The Guardian", disse que o filme de Kathy Bigelow "repudia a narrativa tradicional, sendo construído como uma série de momentos impressionistas", que convidam o espectador a completar o filme. A crítica Isabelle Regnier, do "Le Monde", diz que o filme recusa o julgamento fácil, "sendo essencialmente metafísico". O mesmo poderia ser dito de um filme de Pablo Trapero ou de Lucrecia Martel...

Voltando ao início: o Oscar 2010 foi rico em ensinamentos. Provou que, ao contrário da imagem daquela entidade monolítica, que espelha o pensamento único de uma indústria, o Oscar é mais complexo do que isso. É uma entidade que congrega hoje seis mil votantes, sendo que quase três mil são atores. Pode-se imaginar, pelo resultado das votações, que esses atores não queiram no futuro virar meras vozes de filmes compostos por imagens digitais.

Há quem tenha visto no resultado do Oscar um repúdio dessa suposta indústria monolítica a "Avatar", por este ser um filme ecológico, de esquerda, enquanto que "Guerra ao terror" seria, como um western de John Ford, de direita. A tese implode no fato de que é Cameron quem separa, como os conservadores nos Estados Unidos, o mundo entre "o bem" e "o mal". O fato de o filme ser financiado pelo mesmo grupo que controla o mais retrógrado canal de notícias do planeta, a Fox News, e o afã com que a Fox News defendia "Avatar" não colaboram com a tese conspiratória.

Mas é sobretudo no fato dos Na'vi dependerem de um marine americano para liderar sua guerra "do bem contra o mal" que torna a tese ainda mais discutível. É como se, cá em terra brasilis, os Caetés tivessem necessitado da liderança de um soldado português para comer o bispo Sardinha.

WALTER SALLES é cineasta, diretor de "Central do Brasil" e de "Diários de motocicleta"

terça-feira, 9 de março de 2010

Fitzgerald e o cinema

F. Scott Fitzgerald morreu em 1940, aos 44 anos, em Hollywood. Vivia lá há três anos, atraído pela possibilidade de ganhar algum dinheiro escrevendo roteiros para a MGM, já que estava repleto dívidas e doente. Embora fosse um escritor consagrado, não obteve sucesso com o cinema. Foi creditado em apenas um filme, "Three Comrades". Era uma época em que o roteirista em Hollywood era visto pelos chefes dos estúdios como um operário de linha de montagem. Um roteiro passava por diversos profissionais até que ganhasse a afeição do produtor e fosse considerado apto a ser filmado. Vários roteiros passaram pelas mãos de Fitzgerald, dizem que inclusive "E o vento levou". Mas, em regra, suas ideias não eram aproveitadas e, com isso, ele mantinha uma relação conflituosa com o negócio do cinema. Certa vez, Billy Wilder, que era grande amigo do escritor, disse o seguinte sobre o trabalho de Fitzgerald no cinema: "um grande escultor contratado para um serviço de encanador. Ele não sabe como conectar os canos para que a água flua."

Há alguns anos atrás, uma universidade americana comprou da Warner (que recebera da MGM) o acervo com os trabalhos que Fitzgerald desenvolvera no estúdio. Esses documentos mostram que a atividade de roteirista não era realizada de forma desleixada, pelo contrário, Fitzgerald se empenhava obsessivamente na construção dos personagens, em reescrever as cenas, em encontrar a melhor forma de pôr as histórias que criava ou que lhe eram passadas nesse novo meio do cinema. Como se sabe, o resultado geral é de que a experiência foi um fracasso. Pouco trabalho aproveitado e muitas brigas com o estúdio: há diversas cartas de Fitzgerald aos produtores em que ele reclama de não terem aceito seu trabalho ou de o terem modificado.

Quando morreu, Fitzgerald deixou inacabado o romance "The last tycoon" ("O último magnata"), cujo personagem principal é Monroe Stahr, chefe de um grande estúdio de Hollywood, inspirado em Irving Thalberg, chefão da MGM nos anos 20 e 30. Quer dizer, Fitzgerald morreu em Hollywood, trabalhando como roteirista (ainda que fracassadamente) e escrevendo um romance ambientado no mundo do cinema, cujo protagonista é um grande produtor de filmes.

O que me intriga, no entanto, é uma cena deste romance em que o personagem de Monroe Stahr recebe em sua sala um escritor que está trabalhando para o estúdio como roteirista. Além das citações, em passagens anteriores, ao alcoolismo do personagem, percebemos claramente que ele atravessa uma grave crise criativa que atribui à sua incompreensão do meio de expressão cinematográfico. Ele diz que não sabe escrever histórias para o cinema. Seu ofício é a literatura. Caberá a Monroe Stahr explicar a ele o que é uma história para o cinema. E vem então uma explicação brilhante que, até hoje, não encontrei igual sobre a natureza do cinema narrativo. Ele consegue explicar o que é o cinema, como funcionam as histórias para o cinema e ainda por que as pessoas pagam para ir ver filmes. Tudo sem uma vírgula teórica, apenas com um preciso e esclarecedor exemplo.

É possível que Fitzgerald tenha presenciado ele mesmo essa explicação de algum produtor, talvez até mesmo do próprio Irving Thalberg. Mas o fato de ele transformar isso numa cena dramática, habilmente construída, revela não só o mestre literário que era como também o profundo conhecimento da natureza da arte cinematográfica americana, ainda que não soubesse que possuía.

A cena foi filmada (igualmente de forma brilhante) por Elia Kazan na sua adaptação do livro inacabado de Fitzgerald. O primor da cena, além de ser uma aula de cinema, está na sua capacidade de unir construção narrativa, realização cinematográfica e interpretação, criando verdadeira unidade artística. Além do mérito de duplicar em cena o espectador na figura do escritor, fazendo-o perceber o seu próprio papel no jogo cinematográfico.

Obra-prima. De Mestres. Eternizados na arte.



Segue abaixo a transcrição do texto do Fitzgerald. Veja como já era cinema o que ele escrevia.

"But let's imagine something that isn't either dialogue or
jumping down a well. Has your office got a stove in it that lights with a match?"

"I think it has", said Boxley stiffly, "- but I never use it".

"Suppose you're in your office. You've been fighting duels or writing all day and you're too tired to fight or write any more. You're sitting there staring - dull, like we all get sometimes. A pretty stenographer that you've seen before comes into the room and you watch her - idly. She doesn't see you, though you're very close to her. She takes off her gloves, opens her purse and dumps it out on a table-"

Starh stood up, tossing his key-ring on his desk.

"She has two dimes and a nickel - and a cardboard match box. She leaves the nickel on the desk, puts the two dimes back into her purse and takes her black gloves to the stove, opens it and puts them inside. There is one match in the match box and she starts to light it kneeling by the stove. You notice there is a stiff wind blowing in the window - but just then your telephone rings. The girl picks it up, says hello - listens - and says deliberately into the phone, "I've
never owned a pair of black gloves in my life". She hangs up, kneels by the stove again, and just as she lights the matc, you glance around very suddenly and see that there's another man in the office, watching every move the girl makes-"

Starh paused. He picked up his keys and put them in his pocket.

"Go on", said Boxley, smiling, "What happens?"

"I don't know", said Starh, "I was just making pictures".

Boxley felt he was being put in the wrong.

"It's just melodrama", he said.

"Not necessarily", said Starh. "In any case, nobody has moved
violently ot talked cheap dialogue or had any facial expression at all. There was only one bad line and a writer like you could improve it. But you were interested".

"What was the nickel for", asked Boxley evasively.

"I don't know", said Starh. Suddenly he laughed. "Oh, yes - the nickel was for the movies".

The two invisible attendants seemed to release Boxley. He relaxed, leaned back in his chair and laughed.

"What in hell do you pay me for?" he demanded. "I don't understand the damn stuff".

"You will", said Starh grinning, "or you wouldn't have asked about the nickel.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

You´ve done terrible things

Terrible things, Lawrence. You've done terrible things...

Há bem mais méritos do que problemas neste novo Lobisomem da Universal. A começar por uma apropriada compreensão do mito do monstro meio homem meio lobo. O lobisomem, como já disse Stephen King no Dança Macabra, é o arquétipo por trás de histórias como a do Dr. Jekyl: é a natureza instintiva e muitas vezes violenta que guardamos sob a roupagem da cultura e da civilização. Não é à toa, como se mostra nos bons filmes sobre o tema, nos quais se inclui a atual adaptação, que a transformação ocorre com o lobo que irrompe sob a superfície do homem. É uma metamorfose invariavelmente dolorosa.

Não pude ainda deixar de pensar, na primeira cena de despertar após a noite da transformação, que o mito do lobisomem pode muito bem encontrar ecos culposos em amargas manhãs de ressaca que seguem uma noite de terrível bebedeira, quando, embora a memória consciente possa não confirmar, a única explicação para o estado deplorável de nossas roupas e do nosso corpo vem da desagradável certeza de que fizemos coisas terríveis na noite passada. É claro que isso é um exagero, mas o horror vem também do excesso, assim como o riso.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ainda repercutindo Avatar

Este post do Pedro Doria, no site do Estadão, esclarece muito bem a estratégia da indústria em fazer de Avatar um modelo de produto que viabilize o negócio do cinema, tal como ele vem funcionando há décadas. Uma espécie de antídoto à corrosão venenosa do digital na indústria do entretenimento.

Vale muito a pena ler! Aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Meus melhores de 2009*

*sujeito a revisões

10. A troca


Difícil encontrar outro filme de 2009 em que se tenha visto tamanha capacidade em dar forma à dor.


9. Atividade paranormal

A tecnologia usada para expressar o que permanece obscuro nesse nosso mundo dominado por imagens. Do ponto de vista da indústria do cinema, é para mim o acontecimento mais relevante do ano.


8. Foi apenas um sonho

“A vida menos vasta que nossos projetos e menos terna que nossos sonhos”. O cinema e as batalhas verdadeiras que nos dignificam: é bem verdade que nem sempre se vence...


7. Distrito 9

Quando a ficção científica encontra o cinema social, na ética e na estética.


6. Anticristo


Quando o horror vem do sentimento de indistinção entre natureza e o homem. Ou seria entre a natureza e a mulher?


5. Deixa ela entrar


O amor e o vampiro como forças da natureza, além do bem e do mal.


4. Up – Altas Aventuras


A técnica mais qualificada conjugada a uma belíssima história, personagens fantásticos e ótimas piadas. E, como se não bastasse, é ainda um inegável tributo à aventura humana. Difícil assistir a Up – Altas Aventuras e não acreditar que a vida vale a pena.

3. Amantes


O que fazer quando um filme é tão próximo da vida comum que você passa todos os minutos da projeção desamparado, eufórico, triste e apaixonado como o protagonista? Como não sofrer quando se sabe que ele vai fazer uma cagada e nada poderá evitar? Afinal, no amor, não é sempre assim?

2. O Lutador

A aparência envelhece, sai de forma, vem a doença. Mas é a alma quem anima o espetáculo. Enquanto houver palco, ainda que seja um ringue de lutas...


1. Gran Torino


Nunca o cinema clássico se mostrou tão autoconsciente quando na obra recente de Eastwood. E mais do que isso, Gran Torino nos mostra que o cinema clássico reflete a própria história da formação da sociedade americana. Se O Nascimento de uma Nação fosse um prólogo, Gran Torino seria o epílogo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Afinal de contas, é uma boa notícia

Warner desiste de produzir filme da série animada "Thundercats"

Os estúdios Warner Brothers resolveram engavetar o projeto de um longa para a série de desenhos animados “Thundercats”.

De acordo com o portal Collider, fontes ligadas a Warner revelaram que o projeto do filme sobre os sobreviventes do planeta Thundera está descartado. A produção estava sendo desenvolvida por Jerry O’Flaherty, que faria sua estreia como diretor.

O longa contaria a história de Lion-O, desde sua infância até se tornar o líder dos “Thundercats”. A série animada fez muito sucesso no Brasil nos anos 80 e 90, quando foi transmitida pela TV Globo. Mais recentemente o desenho foi exibido pelo SBT.

Fonte: NaTelinha

Até então, a concepção do personagem Lion estudado para o filme tinha sido esse, divulgados pelos site Movieline:

sábado, 2 de janeiro de 2010

Começarás bem

Meu ano começou a todo vapor: 4 filmes no 1º de janeiro:

- Férias Frustradas de Verão, comédia romântica bem bacana, dirigida pelo diretor de Superbad, que se passa num parque de diversões furreca em plenos anos 80. Lembra os filmes da época.

- Inimigo Público nº 1 - Parte II. Decidiram lançar a parte II direto em vídeo. Uma pena porque é simplesmente um filmaço. Para mim, conseguiu ainda ser o melhor que a primeira parte.

- Anticristo. Revi o louco e perturbador filme do Lars Von Trier, dos melhores de 2009.

- O mesmo amor, a mesma chuva. Filme de 1999, do Juan José Campanella. Filme bem insosso, muito inferior ao "Filho da Noiva", o filme dele que mais gosto.

Inimigo Público nº 1 - Parte II, o primeiro filmaço que assisto em 2010